“Sea Sun Flower” na tela da Hi Adventure

Não é de hoje que as meninas dominaram o outside. Entre altos e baixos, o surfe feminino está conquistando cada vez mais espaço no line-up. Com tantas influências, a mulherada está deixando o medo e, principalmente, o preconceito de lado para fazer o que ama. Uma dessas inspirações vêm de produções como o filme “Sea Sun Flower”, lançado no último sábado, 24, na Pousada Hi Adventure, aqui no Rio Tavares.

A nova produção dos diretores Pablo Aguiar, filmmaker natural de Santa Catarina, e Manoela D´Almeida, jornalista e fotógrafa gaúcha, conta com um belo elenco formado pelas surfistas Alana Pacelli, Claudinha Gonçalves, Bárbara Müller, Chantalla Furlanetto e Marina Werneck. O filme é o primeiro do Brasil dedicado única e exclusivamente ao surfe feminino. Gravado na paradisíaca Costa Rica, as sessões são mescladas com narrativas individuais de cada atleta e muito lifestyle.

Quem compareceu na première encontrou a casa cheia e pôde se deliciar com o irresistível Stoned Burger e ao mesmo tempo degustar uma Lay Back Beer geladíssima. A vibe estava muito boa, e as garotas foram em peso prestigiar o filme e a amiga Chantalla, nossa representante de Floripa. Ficou a fim de assistir ao filme? Dê o play e espie um pouquinho do que rolou na noite do último sábado.


Trailer Sea Sun Flower from Bulletree Filmes.


Aqui embaixo você fica com uma entrevista exclusiva com o catarinense e diretor do filme, Pablo Aguiar:

DuCampeche - A Manô, grande jornalista e fotógrafa do meio do surfe, única mulher a assinar uma coluna da Revista HARDCORE. Você, filmmaker reconhecido no mercado, com grandes projetos na bagagem. Como e quando surgiu a inspiração para essa parceria, de produzir um filme sobre o surfe feminino?

Pablo Aguiar - Não lembro bem o lugar certo que conheci a Manô, se foi no Hawaii ou Fernando de Noronha, mas por volta de 2010 eu acredito que falamos a primeira vez de fazer um filme de surfe feminino. Sempre simpatizei com o trabalho e olhar da Manô e depois que tocamos no assunto do filme toda vez que nos encontrávamos comentávamos mais um pouco sobre as ideias, até que um dia o universo conspirou a favor e conseguimos tirar ele do papel. Levou um tempo, mas deu certo.

DC - Nos últimos anos têm se falado muito sobre a dificuldade que as meninas encontram no universo das ondas. Você acha que o filme pode, de alguma forma, ajudar as “meninas do mar”?

PA - O universo do surfe feminino é muito carente, principalmente em filmes apenas de meninas, quase não se vê, nem aqui, nem no mundo. Em lugares como Austrália e Califórnia se vê muitas meninas surfando, mas filmes delas são poucos. Acredito que os filmes são a base para esse universo delas crescerem ainda mais.

DC - No time, duas catarinenses formam o elenco das cinco garotas. Como foi feita a escolha das surfistas? 

PA - O elenco foi uma parte bem difícil para nós todos, o mais difícil era bater as datas de todo mundo, por isso acabamos tendo que ir para Costa Rica numa época que não era das melhores de ondas, porque estava quase impossível bater o cronograma de todo mundo. Queríamos uma média de sete surfistas no máximo e no mínimo quatro, convidamos outras meninas mas acabou não rolando, quem sabe esse seja o primeiro de outros projetos nossos para conseguirmos chamar outras meninas também.

DC - Produções como esta com certeza instigam as meninas a deixarem o medo e a vergonha de lado no outside. De que modo vocês quiseram mostrar o surfe feminino hoje?

PA - O filme tem uma pegada lúdica com um lado poético da coisa toda, conseguimos inserir um pouco de moda vs performance, acho que juntamos todos esses elementos para mostrar todo o amor delas pelo oceano, esse é o ponto chave do filme dedicar a todas as meninas que amam e cuidam dos oceanos.

DC - O filme foi produzido em um cenário paradisíaco (Costa Rica), mesclando muito surfe e lifestyle. Como fizeram para fugir do tabu de Surfe x Hipersexualização que o esporte ainda encontra?

PA - Engraçado que já escutamos comentários está sexy sem ser vulgar. Eu e a Manô trabalhamos com moda além do surf, então conseguimos botar esse olhar pra dentro do filme de uma forma sadia sem vulgariza-lo. Não queríamos nem um pouco chamar atenção de forma apelativa e tivemos bastante cuidado com isso durante as gravações, principalmente de lifestyle. Mas o nosso foco maior sempre foi mostrar a melhor performance delas possível surfando e passar uma mensagem boa do amor delas ao oceano.

DC - O litoral brasileiro é recheado de ondas boas, e aqui em Santa Catarina temos o privilégio de contar com boa parcela delas. Vocês planejam mais produções como esta, e quem sabe, filmadas aqui mesmo, em meio às belezas do nosso litoral?

PA - Sim concordo, temos boas ondas por aqui também e um cenário tão bonito quanto a Costa Rica, o problema maior é o cronograma, bater o melhor mês de ondas no Brasil com o cronograma de todo mundo. Mas não descarto a possibilidade de um dia rolar.

Da Redação DuCampeche