Gestar - grupo de apoio à gestante discute tipos de parto

O Casa Gestar é um centro de apoio à mulher e à família, onde são oferecidas práticas de acolhimento como Yoga para gestantes e seu bebê, aulas de dança, rodas de conversa, terapias alternativas e tradicionais, constituído por um grupo voluntário de mulheres em prol da humanização do nascimento e em respeito a autonomia feminina.

O encontro reuniu parturientes e Doulas (apoiadoras), foi conduzido pelo médico obstetra e ginecologista adepto do parto humanizado, Thor Schmidt.

No evento foram debatidos temas variados, entre eles:

(1) - Parto humanizado - natural - desde o começo da gestação

(2) - Parto por cirurgia cesariana

(3) - Conciliação entre o saber médico e o protagonismo da mulher durante o parto

(4) - impasses do parto humanizado na rede pública (viés legal do acompanhante)

(5) - importância do preparo do pai para o momento do parto

(6) - plano de parto autorizado pela parturiente

(7) - redução e Fim da violência obstétrica no Brasil

 

Introdução:

Os partos por cirurgia cesariana no País representam 84% na saúde suplementar (particular). O número cai na rede pública - 40% dos partos.

O parto por cirurgia cesariana sem a indicação médica, pode provocar riscos desnecessários à saúde da mãe e do bebê. Há um aumento em 120 vezes da probabilidade de problemas respiratórios para o recém nascido e triplica o risco de morte da mãe.

Muito à vontade na Casa Gestar, o Dr. Thor Schmidt, explana que a mulher precisa primordialmente de atenção e muito carinho. O médico faz referência por diversas vezes ao pai, Dr. Pedro Schmidt, precursor do parto humanizado em Florianópolis.

Segundo o médico, as Doulas não podem ser consideradas enfermeiras, embora algumas somem também esta função. A Doula no ambiente do parto é garantia de suporte ao médico.

 

Entrevista com o Dr. Thor Schmidt:

O Portal DuCampeche conversou com o Dr. Thor Schmidt sobre o Parto humanizado, confira:

Dr. Thor Schmidt:

“O Parto Humanizado vem a ser o resgate da gestante a sua autonomia, sua consciência. A paciente voltar a protagonizar o parto, ser mais ativa no trabalho de parto, aonde ela é cem por cento participativa na hora do parto. Onde os outros participantes do parto, são apoiadores daquele momento especial, que vem a ser o nascimento de uma criança através desta filosofia, através dessa consciência, que a própria gestante vai adquirindo durante o pré-natal e desde antes até, de pensar em engravidar...”

 

DuCampeche:

Existe um maior entendimento sobre o papel das Doulas?

Dr. Thor Schmidt:

“As Doulas são também, profissionais essenciais na equipe, principalmente nesta filosofia da humanização do parto, São pessoas que dão o acompanhamento desde o pré-natal, aonde já são dadas orientações, ao início do trabalho de parto informando passo a passo a nova mãe e facilitando a ela enfrentar qualquer dificuldade que ela venha passar...”

 

DuCampeche:

Qual a importância para Mãe e para a o Bebê do Puerpério? (pós-parto e convalescência).

Dr. Thor Schmidt:

“O parto humanizado começa muito antes do pré-natal é como uma filosofia de vida. Muito comum nos casais que estão em contato direto com a natureza e que buscam o método natural, Práticas que nos dias de hoje, vem sendo transferidas para dentro das normas legais (Agência nacional de Saúde, Organização Mundial de Saúde) e que tem revisto também as condutas...É muito importante este debate do parto normal e da pesquisa que surge através desse conflito inicial dividido entre extremos (Cesarianistas e Vaginistas)”.

“As atuais Leis, vem devolvendo ao papel da Mãe o direito de escolha que muitas vezes não é respeitado. A paciente pode vir ter que passar por uma cesariana, dentro de preceitos mínimos, que seria ao menos a entrada a um trabalho de parto, para que a cesariana não venha a ser praticada de uma maneira tão precoce...”

“O parto humanizado é um direito de escolha, para que se dê uma segurança mínima para Mãe e para o bebê. Ela não deve ser mal tratada por isso. O que nunca poderia acontecer é o fato de a Mãe escolher o parto humanizado, como no caso de um parto vertical, usando o mínimo de intervenções como no parto sem soro, e talvez a possibilidade da não realização da Episiotomia (corte do períneo) e não encontrar-se com a equipe capacitada para estar recebendo e respeitando esta paciente e fazendo o acompanhamento desse parto, que em muitas vezes é um sofrimento, mas que por um motivo muito especial, A chegada de um bebê...”

 

Explanação - O que são Doulas?

As Doulas são  "amparadoras" que preparam as gestantes antes da vinda do bebê, (educação perinatal) durante a gravidez (trabalho de parto) e após o parto (puerpério). Dando a assistência ao conhecimento ainda incipiente das mães, que darão à luz ao  primeiro Filho. Algumas Doulas acompanham o trabalho de parto.

 

As Doulas também podem ser consideradas estimuladoras da autoconfiança feminina. Proporcionando segurança e a  certeza da escolha pelo caminho da maternidade o mais natural possível.

 

Entrevista com a Cristiane da Ros – Doula:

 

A Doula Cristiane da Ros conta ao Portal DuCampeche que seu trabalho consiste em dar dois ou até três atendimentos pré parto. São visitas à gestante, onde se conversa sobre todos os momentos que precedem ao nascimento e a ação de parir uma nova vida ao planeta, confira:

 

Cristiane da Ros (Doula):

"A gente conversa, tira dúvidas...esclarece todas as questões que a gestante nos traz. Em um parto hospitalar acompanhamos todo o trabalho... vamos até a casa da gestante, quando ela começa a sentir as contrações, ficamos ao lado da gestante, fazemos massagens, (métodos não farmacológicos contra a dor) ajudamos a gestante se movimentar, caminhar, a usar bola de Pilates..." . Diz Cristiane Da Roz,  Doula e enfermeira.

 

Portal DuCampeche:

Qual entendimento devemos ter sobre a função da Doula antes, durante  e posteriormente ao parto?

Cristiane da Ros (Doula):

“A função de uma Doula é trazer suporte físico e emocional para a mulher. Atuamos em três momentos. Fazemos um acompanhamento de pré parto, o trabalho de parto, o parto e no puerpério, damos dicas para amamentação e os primeiros cuidados com o bebê.

Durante o pré parto temos alguns encontros para levar informações para estas mulheres, desmistificando situações relacionadas à medo, em relação à dor, questões que as mulheres têm, que são particulares  que são muito individuais...”

“...Temos como objetivo a disseminação de informações baseadas em evidências científicas atuais, atuando como um grupo de apoio à gestante, seus companheiros e familiares, por meio de realização de rodas de conversa que sejam ao mesmo tempo esclarecedoras e acolhedoras”. Complementa.

 

Entrevista com a Letícia – Mãe:

O Portal DuCampeche obteve entrevista com a futura Mãe Letícia, confira:

Dna. Letícia:

“É a terceira vez que eu participo destas reuniões, recebemos um volume grande de informações e recebemos um acolhimento especial.“

 

DuCampeche:

Qual a conexão que existe entre a mãe e o bebê, além do fluxo de alimentação que nutre e desenvolve o crescimento do seu filho?

Dna. Letícia:

“Quando aqui cheguei, trazia um histórico de muitas perdas. A medida em que o tempo passa, vai se desmistificando a questão do parto dolorido e isso faz com que  nossa postura mude, fazendo-me estar mais conectada com meu filho”.

 

O grupo Gestar:

A Gestar é um grupo de ativistas interessadas em ajudar a resgatar o protagonismo feminino no momento mais importante da vida de uma mulher: a chegada de um filho.

O grupo Gestar já existe a um ano e possui três núcleos: o primeiro no Sul da Ilha, (casa gestar). O segundo é no norte da Ilha (faculdade CESUSC) e o terceiro, no continente, localizado na UDESC CEFID. Os encontros são quinzenais, todos abertos à população e gratuitos.

 

Gestar Sul da Ilha: 

Casa Gestar

Servidão Odorico Miguel da Costa, 113 - Campeche

 

Gestar Norte da Ilha:

Faculdade CESUSC

Rodovia SC 401 - Km 10 - Trevo de Santo Antônio de Lisboa

 

Gestar Continente:

UDESC CEFID

Rua Pascoal Simone, 163 - Coqueiros

 

Da redação DuCampeche