Se alimentar bem em Floripa, não é difícil

Em 2014, o Ministério da Saúde publicou a 2ª edição do “Guia Alimentar para a População Brasileira” (http://www.idec.org.br/pdf/guia_alimentar_para_populacao_brasileira_06-11-2014.pdf ). Esta publicação, embora apresente um viés de saudabilidade devido ao órgão governamental que a assina, possui uma natureza deveras interdisciplinar (pertinente ao tema). Ao longo de suas cento e poucas páginas podemos verificar menções feitas à nutrição, à produção agrícola, ao meio ambiente, à economia... E é aí onde pretendo chegar, no caminho percorrido pelo alimento, desde o campo até as nossas mesas, se transformando e gerando renda nas diversas etapas deste percurso. Na página 125 desde guia, estão presentes uma série de passos que o brasileiro pode seguir em busca duma alimentação saudável. Grifo três deles, por considerá-los os principais: (1) fazer de alimentos naturais ou minimamente processados a base da alimentação, (2) limitar o consumo de alimentos processados e (3) fazer compras em locais que ofertem variedades de alimentos in natura ou minimamente processados.

Eu sei, à primeira vista pode parecer complicado seguir tais passos nos dias atuais, na correria que nos acostumamos a enfrentar diariamente vivendo em centros urbanos. E mais, estes alimentos que encontramos nos supermercados são, de fato, frescos e gostosos? Não sabemos nem sua procedência... Eu lhes digo, em Floripa, isto é possível! Primeiro porque Santa Catarina é um dos estados brasileiros com a agricultura familiar mais forte e estruturada do país. Ações de fomento alicerçadas institucionalmente por MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário), UFSC, CEPAGRO e EcoVida, vêm dando condições para que pequenos produtores rurais produzam de forma sustentável e eficiente. Em segundo lugar, Florianópolis é uma cidade minada por feiras de bairro. É difícil encontrarmos no Mundo uma capital com tantas possibilidades de mercados de rua para compra de frutas e verduras frescas. Eu, por exemplo, frequento as feiras do Rio Tavares (ali na Igreja de Pedra – Capela São Luiz Gonzaga) todas as terças-feiras e sábados e a da UFSC, às quartas-feiras. Nada como adquirir frutas e vegetais frescos e, de lambuja, me deliciar com um combo de pastel com caldo de cana. Recomendo!

Alguns pesquisadores consideram este tipo de mercado como sendo exemplos de encurtamento das cadeias produtivas de alimento, promovendo benefícios para a economia local. Ou seja, devido à proximidade entre produtores e consumidores (seja geograficamente, seja culturalmente), é permitido que se estabeleça uma relação de maior confiança. É bom olhar no olho daquele cidadão que produziu sua comida. Ademais, como estes produtores estão alocados – a maioria deles – na região conurbana da cidade, estes alimentos viajam pouco, passam pelas mãos de poucos (ou nenhum) intermediários e acabam gerando menos perdas e desperdícios. Mas isso é assunto para uma próxima conversa. Em Floripa não é difícil se alimentar bem e de forma saudável. Eu, na função de pesquisador, outsider e forasteiro, talvez tenha mais facilidade para identificar o quão fortuitos somos vivendo neste pedaço de terra que possui a saúde – de corpo – e alma em suas raízes.