Caldo-de-cana, um isotônico natural

Passamos da metade do ano, as horas de sol vão aumentando e, com elas, a temperatura. A vontade de fazer esportes cresce, seja devido à preocupação com a saúde, seja para preparar o corpo para o verão que se aproxima. Ou, até mesmo, para “tirar o mofo” que nos acomete nesta época fria e úmida do ano. Com isso, o caldo de cana aparece como uma ótima opção para auxiliar na hidratação e reposição de nutrientes. A bebida é rica em minerais como ferro, cálcio, sódio e potássio e em vitaminas do complexo B e C, além de super energética. Após a atividade física, os níveis de glicogênio muscular – que atua em nosso organismo como uma reserva de energia – caem significativamente e a sacarose – carboidrato presente em alta quantidade na cana-de-açúcar – atua na reconstrução desses estoques energéticos e na recuperação dos esforços musculares. Isso mesmo, estudos indicam que com a ingestão deste isotônico natural aquelas dores chatas pós-treino são reduzidas, à medida que diminui o acúmulo de uréia resultante do desgaste do músculo¹.

A cana-de-açúcar foi introduzida no Brasil no período colonial e tornou-se uma importante cultura para a economia do país (somos, atualmente, o maior produtor mundial). Claro, este grande volume não está diretamente vinculado ao caldo e sim às produções de açúcar e etanol. Somos responsáveis por mais da metade do açúcar comercializado no mundo e o etanol vem ganhando força em um cenário que clama pelo desenvolvimento de matrizes energéticas alternativas e menos poluentes².

Contudo, embora a doçura da cana, os principais produtos oriundos, infelizmente, também carregam consigo aspectos amargos. Enquanto a produção do álcool está enraizada institucionalmente no falido Programa Nacional do Alcool (Pró-Alcool), que não atingiu o objetivo de tornarmo-nos independentes dos combustíveis fósseis, a história do comércio e da produção de açúcar nos remete a guerras e à escravidão do início da colonização de nosso país. E foram justamente os escravos que começaram a beber o caldo que restava nos tachos de rapadura, ainda no Século XVI³.

Aqui na Ilha não é difícil de encontrar alguém moendo a cana, adicionando gelo e limão e servindo este néctar acompanhado dum pastelzinho ou um milho verde. Uma verdadeira delícia presente em feiras e bancas ao ar livre. Mas tenho que admitir, o meu caldo de cana preferido é aquele vendido no mirante do Morro das Pedras (https://www.facebook.com/pages/Caldo-de-Cana-do-Mirante/292535100925078), aos pés do Convento. Aquele trecho da SC-406 é um dos lugares mais bonitos que já conheci. Digno de comparação às famosas rodovias à beira-mar da Califórnia, que volta e meia são retratadas em produções hollywoodianas. O visual que temos ao sair da Armação, passar pela Caldeira e dar de cara com as ondas beijando a costa do Morro das Pedras não perde em nada para o badalado caminho de San Francisco a Big Sur, cidades californianas banhadas pelo Pacífico. A diferença é que lá a água é bem mais gelada, e não tem caldo-de-cana.

 

 

REFERÊNCIAS

1. Stancanelli M. Efeito ergogênico do caldo de cana. [Tese de mestrado]. Campinas, UNICAMP, 2006.

2. http://www.agricultura.gov.br/vegetal/culturas/cana-de-acucar

3. http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar../index.php?option=com_content&view=article&id=867:caldo-de-cana&catid=38:letra-c&Itemid=1

 

Por: Pedro Xavier da Silva