O Surfista Viajante

Nesta primeira coluna, na qual me proponho a falar de viagens e surftrips, gostaria de iniciar explicando um pouco do dilema que vive um surfista quando o assunto são as viagens, pois nem sempre é fácil conciliar com o trabalho, família, amigos e claro boas ondas. Sem dúvida,  cada um tem um motivo para viajar, mas para aqueles que viajam em busca das ondas a logística nem sempre favorece.

Quando iniciamos as nossas primeiras viagens internacionais, elas são como uma extensão de nossas idas à praia, ou seja, alguns amigos, pranchas, poucas roupas, umas bolachas e muita disposição. Porém, o tempo passa e começamos a ver a necessidade de ondas de mais qualidade, uma estrutura para levar a namora, noiva ou esposa e posteriormente as crianças. Agora juntar todos estes fatores, aliado a  natureza para que se tenha onda, começa a tornar as viagens uma missão complexa para o sucesso.

Normalmente iniciamos aqui perto: Peru, Chile, Equador ou Costa Rica.  No inicio são viagens fantásticas, com pouca grana, sem nenhuma exigência de conforto e se divertindo com amigos. Nesta fase é tão diferente e divertido estar em um lugar remoto surfando um fundo de pedra com os amigos, que o fato do mar estar clássico ou não se torna um detalhe, pois com certeza está melhor do que sua onda do dia a dia no Brasil.

Porém como em tudo na vida, o tempo passa e como diz a máxima “só não gosta do que é bom, quem não conhece” você com certeza começa a exigir uma condição mais especial para estar naquele lugar, restringindo assim o período do ano ou até mesmo monitorando o swell antes de partir. Em alguns casos, começa a querem uma comida melhor, uma cama mais confortável e talvez até um ar condicionado, sendo que no inicio nem água doce era necessário, se fosse quente já era luxo!

Pois bem, você começa a ter que dividir estas viagens com uma outra mais turística para agradar a namorada, ou talvez a essas alturas sua esposa. Ai começamos a pensar, será que não tem um lugar que agrada os dois? Quando você começa a entender que é possível, em muitos casos chegam as crianças e ai, como conciliar? Agradar a todos e ainda ter estrutura para seu filho ou filha, ainda bebe?  No meu caso meu filho fez a primeira viagem ainda na barriga, para um arquipélago no caribe, no qual a ilha que eu estava não havia hospital e muito menos carro!

A ideia é abordarmos todo tipo de viagem nesta coluna, lógico com uma “veia surfística”, mas que possamos ir de uma experiência gastronômica aos tubos de nossas vidas, afinal se você gosta de viajar o importante é estar sempre com a próxima programada, como dizia a avó de um grande amigo meu: “Eu compro minhas viagens com antecedência não para pagar mais barato, mas porque o fato de ter a próxima viagem programada deixa minha vida mais doce hoje.”